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SOCIOLOGIA DO ADULTO

Tem-se desenvolvido um extenso e importante trabalho sobre a transição dos jovens para a vida adulta – mas não será pertinente tentar saber o que significa “ser adulto” para que se compreenda melhor esses processos de transição? Como podemos entender os modelos de transição para algo que não sabemos muito bem o que é? Não será pertinente pensar na construção de uma Sociologia do Adulto?

Parece cada vez mais inegável a importância de considerar a idade adulta enquanto objecto teórico e de investigação e, para além do défice conceptual com que nos deparamos quando se pretende pesquisar sobre esta fase de vida, a temática da idade adulta torna-se cada vez mais actual. A provar isso estão os mais variados termos, como por exemplo: adultez, “adultado, adultidade, adultescência, andragogia, maturescência”, antropolescência (Boutinet, 2000:24, Costa e Silva, 2003) que surgem exactamente devido à indeterminação dos limites das categorias etárias e à ambivalência complexa e paradoxal que envolve o conceito de vida adulta.

Esta ambiguidade tem interessado, a partir dos anos 90, um maior número de estudiosos devido, especialmente, ao facto do modelo tradicional de entrada na vida adulta, que considera o adulto como um estatuto a atingir com a obtenção de estabilidade na vida profissional, financeira e familiar, sofrer várias pressões sociais com:

·O prolongamento escolar e a necessidade de formação contínua;

·O crescimento de aspirações à mobilidade social;

·A mudança no sistema familiar e matrimonial – os novos modelos conjugais;

·A possibilidade de se programar e adiar o momento da procriação – que permite maior autonomia na gestão dos calendários profissionais, escolares, conjugais e de lazer;

·A melhoria das condições de vida – saúde e higiene – tendo o adulto a possibilidade de viver mais anos remetendo a ideia de morte para lá de um percurso que se prolonga por uma diversidade de experiências de vida, – o aumento da esperança de vida permite questionar o momento em que se deve ou pretende “assentar” e, neste caso, estabilidade pode significar não evoluir num percurso aberto a múltiplas possibilidades;

·As mudanças nos modos de passagem à vida profissional, – que cada vez mais longos conduzem menos frequentemente e menos directamente a um emprego estável;

·A revolução das necessidades, o incremento do consumo, da informação, da promoção do lazer, do “rejuvenescimento” e do hedonismo (Teixeira, 2001).