SER ADULTO
Este site baseia-se na investigação desenvolvida no âmbito do Doutoramento em Sociologia do Departamento de
Sociologia do
Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE).
O objectivo é dar a conhecer o estado actual da
pesquisa, contudo, trata-se de um documento em construção sujeito a
sucessivas reformulações. De momento apresenta-se o
exercício de preparação do quadro teórico e a metodologia aplicada no trabalho empírico
realizado nos meses de Julho e Agosto de 2006. Alguns dos textos apresentados já
foram objecto de publicação outros são, pela primeira vez, apresentados
neste site.
A partilha da informação e a possibilidade de
obter comentários e opiniões acerca do trabalho realizado é uma mais valia
que muito contribuirá para o sucesso da pesquisa. Dê a sua opinião sobre o
site e sobre o que é para si “ser adulto” na sociedade portuguesa.
O QUE É
SER ADULTO?
A
representação do adulto continua a impor-se numa perspectiva de
estabilidade – o adulto socialmente inserido e categoria etária de
referência para as demais categorias etárias –, contudo, o indivíduo
pressionado ou de forma voluntária procura afastar-se dessa impressão de
estabilidade.
O
adulto situa-se actualmente numa sociedade de escolhas, decisões e
projectos – projectos profissionais, de carreira, familiares, de
orientação, inserção, formação, de reforma, entre outros – contudo, estas
decisões, escolhas e projectos realizam-se cada vez mais sem a protecção
de um quadro estruturado de identificações, cada vez mais as decisões
dependem do indivíduo e da sua capacidade de se auscultar a si próprio.
Existem duas lógicas que resumem as diversas perspectivas sobre o que é
“ser adulto”. Uma considera o adulto um sujeito equilibrado, estável,
mesmo rotineiro e instalado e outra reconhece o adulto ou como sujeito que se
perspectiva em desenvolvimento numa atitude de experimentação, de
progressão, de formulação de desejos e concretização de projectos ou como
adulto problema que tem de lidar com o imprevisto, o risco, a exclusão e a
inexistência de quadros de referência.
Estas
duas lógicas que se opõem e conferem ao adulto uma definição paradoxal
também se podem unir produzindo um efeito desmultiplicador numa espécie de
desestabilização e, simultaneamente, de potencialização da vida adulta,
estando o desafio na capacidade do adulto ser reflexivo, de fazer balanços
e “agarrar” as oportunidades quando elas surgem ou desistir de projectos
condenados ao insucesso (Boutinet 2000, Giddens, 2000,Costa e Silva:2003).
orientação Professor
Mário Leston Bandeira e
Professora Paula Vicente
apoios
filom_sousa@yahoo.com