O ADULTO E A DIMENSÃO DEMOGRÁFICA
Considerar a perspectiva
demográfica nesta investigação é assumir que o comportamento e perspectivas
sobre o que é “ser adulto” diferem de acordo com a caracterização dos fenómenos
demográficos de diferentes sociedades. É considerar, em particular, que “ser
adulto” é diferente numa sociedade onde a esperança de vida é curta ou longa;
numa sociedade jovem, de elevado índice de fecundidade ou numa sociedade
envelhecida.
São, de facto, várias as mudanças
demográficas que levam os investigadores sociais a prestarem atenção ao estudo
da vida adulta, particularmente, a importância dada ao aumento da esperança de
vida nas sociedades ocidentais que, num primeiro momento, evidenciou um maior
interesse pelo estudo da gerontologia mas que começa a promover um campo
emergente de pesquisa sobre a idade adulta.
A conquista da possibilidade de
programar um projecto de vida autónomo do grupo social a que se pertence tem,
obviamente, a ver com o facto do horizonte da morte se afastar cada vez
mais e a eventualidade de uma gravidez indesejada desaparecer (Thierry, 2002), –
consequência óbvia do aumento da autonomia da mulher, do seu investimento em
percursos escolares e profissionais e da dissociação que se verifica entre
procriação e sexualidade. Os ciclos de vida, cada vez mais libertos de
constrangimentos, prestam-se a novos comportamentos na gestão do capital-tempo e
a novas formas de “ser adulto”. Ou seja, o aumento da duração da vida e a
redução do número de filhos tem consequências sobre os limites das idades; sobre
a relação que se estabelece entre gerações; a forma como os indivíduos
percepcionam o tempo e reprogramam os seus calendários de vida.
Ser adulto e a dimensão
demográfica - índice documento anexo
a. O adulto na espiral da vida –
o horizonte da morte que se afasta
b. O adulto que adia a procriação
e tem menos filhos
c. O adulto
da diversidade de percursos familiares e de modelos conjugais.
o
A
nupcialidade
o
O
divórcio
o
Os novos
e plurais modelos familiares e conjugais