
Modernismo
O início do século XX foi um
momento de crise aguda, de dissolução de muitos valores. Os artistas reagiram ao
cepticismo social, marcado por um laxismo próximo do «laissez-faire,
laissez-passer» através da agressão cultural, pelo sarcasmo, pelo exercício
gratuito das energias individuais, pela sondagem, a um tempo lúcida e inquieta,
das regiões virgens e indefinidas do inconsciente, ou então pela entrega à
vertigem das sensações, à grandeza inumana das máquinas, das técnicas, da vida
gregária nas cidades.
No início deste século as
minorias criadoras manifestaram-se por impulsos de ruptura com as diversas
ordens vigentes. As forças da aventura romperam as crostas das camadas
conservadoras e tentaram redescobrir o mundo através da redescoberta da
linguagem estética. Na área da poesia recusam-se os temas poéticos já gastos, as
estruturas vigentes da poética ultrapassada. A arte entra numa dimensão-outra:
os objectos não-estéticos e o dia-a-dia na sua dimensão multiforme entram na
arte. Recusa-se o código linguístico convencional e, sob o signo da invenção,
surgem novas linguagens literárias: desde a desarticulação deliberada até à
densamente metafórica, quase inacessível ao entendimento comum.
in:http://www.citi.pt/cultura/temas/frameset_modernismo.html